Uma fábula brasileira!

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As Boas Maneiras, de Marco Dutra e Juliana Rojas, é um filme raro, que possui a força da renovação. Não apenas de um gênero, mas do cinema, pois tem o poder de nos encantar ao mesmo tempo que nos desafia com um filme estranhamente reconhecível.

Como classificar As Boas Maneiras? Devemos recorrer a muitas delas: terror, drama social, comédia, romance… Não à toa, um critico inglês escreveu que As Boas Maneiras se insere no gênero “What a Fuck?”

Eu mesmo escrevi para os diretores, logo após ver o filme, numa noite fria dessas de junho em Salvador: “Marco, Juliana…. Que porra é essa? O que é isso? Acabo de ser atropelado pelo filme de vocês! Que filmaço!! Sei que estamos cercado de injustiças, mas tenho 99% de certeza de que esse filme terá o reconhecimento devido.”

Felizmente, o filme vem sendo reconhecido: ganhou o Festival do Rio e o Prêmio Especial em Locarno, um dos mais importantes festivais da Europa. A verdade é que é quase impossível desgrudar da história daquelas duas mulheres (Marjorie Estiano e Isabél Zuaa) que amam e enfrentam multidões.

O filme tem vida própria, uma energia vital que nos atrai. Conhecemos as personagens, queremos o bem delas. Desejamos que elas se salvem e fiquem bem com o pequeno (Miguel Lobo).

Em As Boas Maneiras, uma jovem branca e rica contrata uma babá negra, que não está adaptada ao trabalho e ao ambiente. Aos poucos, conheceremos os dramas sobretudo da sinhá: ela vive em certo abandono. Seu “mau comportamento” fez com que sua família a isolasse em um apartamento de luxo, em São Paulo. Pois, Clara, a babá, passa a cuidar amorosamente de Ana, a jovem branca. Há uma transformação em curso nas mulheres, uma simbiose que redundará em algo romanticamente trágico.

Eu não acho de bom tamanho contar mais. Diga-se apenas, algo que quase todo mundo já sabe, que estamos em um filme de lobisomem! A mentirada do cinema ganha força com o menino Miguel Lobo (sério que é esse mesmo o sobrenome dele?), que vai nos garantir momentos inacreditáveis no segundo ato do longa.

As Boas Maneiras é um filme de amor, sobretudo. Como se disse no início, um filme raro. E que vai garantir uma das aberturas mais empolgantes da história do Panorama!

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