As Boas Maneiras na abertura do Panorama/2017

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Era uma vez um curador muito cansado numa noite dessas de julho, em 2017. O rigoroso e longo inverno de Salvador, naquele ano, obrigava o curador a deixar todas as portas e janelas do escritório fechadas. O ar, sempre muito húmido, não se renovava. O curador se sentia solitário e oprimido. Aquele dia tinha sido particularmente trabalhoso e pouco frutífero.

Já decidido a ir embora e deitar-se, súbito chegou a mensagem com o link do filme que ele tanto aguardava. Um misto de alegria e apreensão o tomou: seria sábio começar a ver o longa tão cansado como estava? Ele resolveu que não, não seria justo com a obra e com ele, mesmo. O melhor era se resguardar e ver no dia seguinte nas melhores condições físicas possíveis. Mas… a curiosidade era tamanha… daí, que ele resolveu ver um pouquinho…. cinco minutinhos e depois ele iria para casa.

O curador não conseguiu tirar o olho da tela. Ficou agarrado pensando várias vezes “Que porra é essa? Como isso vai terminar?”

Ao final do primeiro ato do longa, a energia era tanta que o curador deu uma pausa e se levantou. Ele abriu as portas e janelas do escritório. A noite era suave, cerca de 18 graus. O curador observava, por alguns segundos, a Baía de Todos os Santos e aquele inverno já lhe parecia realmente agradável.

O curador percebeu que mais do que a história, em si, o que ele temia era que o segundo ato não estivesse à altura de tudo que já fora construído. Ele tomou um copo d’água e voltou-se para o computador. O filme recomeçou com renovada descarga de energia vital, daquelas que reconectam o corpo todo. (sugiro dar esse tipo de drogas ao jovens. A todos, aliás).

A “coisa” só melhorava e aquelas duas horas e um tanto passaram numa piscada. Ao final, o curador se sentia “atropelado”. Sensação de epifania lhe tomava. Havia passado por algo grandioso e que ficaria com ele, para sempre.

O curador pensou em ligar para alguém. Ele queria conversar, falar… Fato que o curador estava só e um tanto desnorteado. Ele queria pegar em armas por aquelas mulheres, pela criança! O curador queria fazer algo. Não havia alternativa. O curador sentou-se e reviu o filme na mesma noite. Só assim seu coração sossegou um pouco.

Foi isso mesmo que aconteceu e eu posso atestar.

“As Boas Maneiras”, de Juliana Rojas e Marco Dutra será a abertura do Panorama desse ano.

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